quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Contra as Fábricas de Filhotes

Frequentemente, eu recebo ligações de pessoas daqui de Belo Horizonte querendo acasalar seus frenchies. As razões que levam as pessoas a quererem acasalar seus cães são várias: "recuperar o dinheiro gasto" na compra do cão, fazer com que seus filhos experimentem o milagre da vida, suprir as demandas fisiológicas dos cães... Neste momento, para não deixar isso perdido no ar, vou dizer que essas razões não são justificáveis - vou explicar num post futuro e no meu site novo vai ter tudo isso - mas, o assunto de hoje é outro.

Muitas pessoas que me ligam dizem: "Meu cão é muito bom, comprei lá no Pet Shop X, aquele do Shopping Y".
Realmente.... o Shopping Y está localizado na Zona Sul de BH, vende as melhores griffes, mas JAMAIS venderia um Ville Chamonix. E, pelo que sei, jamais, venderia qualquer cão, de qualquer raça, de qualquer criador decente. Por que?

Porque os pet shops são os lugares onde as fábricas de filhotes desaguam os seus "produtos".

As fábricas de filhotes produzem lhasas, shitzus, papillons, buldogues ingleses, buldogues franceses, akitas, poodles, basenjis, cockers, tudo ao mesmo tempo, em um mesmo lugar.
Você já foi a um restaurante que oferecesse, ao mesmo tempo, com qualidade e idoneidade, comida árabe, italiana, chinesa, portuguesa, alemã e mineira? Pois é...
Fábricas de filhotes abrigam dezenas de cães, amontoados em gaiolas, fêmeas reproduzindo cio após cio.

Eu vi uma fábrica de cães e fiquei chocada!
Em um ambiente imundo de 5 X 5m estavam umas 30 cadelas, "em fase de desmamar a ninhada"... No canil do lado, uma fêmea paria seus filhotes no chão gelado de cimento. E, exatamente, no canil ao lado deste, estava um cão tomado de lesões de pele. Eu perguntei porque ele estava daquele jeito, e a pessoa responsável me respondeu: é leishmaniose, mas estou com dó de sacrificar...

Agora, pense comigo: você está a ponto de investir uma boa quantia de dinheiro em um cãozinho que será um membro de sua família por muitos e muitos e muitos anos (uns 15 anos, espera-se). Portanto, que tal investir um pouco mais, e ir buscá-lo pessoalmente? Conhecer a pessoa que o cria, o local onde vive, conversar sobre a raça e as características particulares do filhote em questão, entrar em contato com o veterinário que assiste os cães do criador é um investimento que valerá a pena.

Estou cansada de receber e-mails do tipo:
Oi Camilli, talvez você possa me ajudar, comprei meu frenchie na feirinha de cães e ele é surdo. Agora não sei o que fazer. (...)

Oi Camilli, comprei meu frenchie no pet shop tal e o dono da loja está me enrolando com o pedigree. Você sabe o que posso fazer? (...)

Oi Camilli, comprei meu frenchie no pet shop tal, paguei uma fortuna, mas ele fechou, agora não tenho pedigree. O que fazer? (...)

Oi Camilli, minha frenchie nasceu em fevereiro/06, mas recebi o pedigree do pet shop com data de nascimento dela de outubro/07. Não estou entendendo. Você pode me ajudar?(...)
Isso acontece todos os dias.

Bem, e se você é daqueleas pessoas que ainda acha que buldogues franceses não poderiam vir de uma fábrica de filhotes, veja com seus próprios olhos:





Preciso contar uma coisa para vocês: escolher o destino de meus bebês é uma coisa muito séria. Me sinto uma privilegiada por tê-los colocado em boas famílias e por utilizar o registro limitado. A família Ville Chamonix está a salvo dos fabricantes de filhotes.