quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Puxão de Orelha

Para quem não sabe, sou graduada em Odontologia, com pós-graduação em Odontopediatria.
Mas, sou perdidamente apaixonada por Genética.
Essa paixão me levou a ser professora Universitária Federal por quase 10 anos, de Citologia e Genética, a fazer Mestrado em Genética e, atualmente, a afinar meus conhecimentos em outra pós-graduação na área de Genética - encerro no fim deste ano.

Já lecionei para muitos dos Odontólogos, Farmacêuticos, Vets, Zootecnistas e outros profissionais da área de saúde que estão atuando no mercado de trabalho.

Sempre disse aos meus alunos que as bases da Genética são universais. Não importa se ocorre em um camundongo, um macaco, um cão ou um homem. O mecanismo genético é o mesmo.

Da mesma maneira, os princípios Bioquímicos, Citológicos, Histológicos, Farmacológicos, Imunológicos, que ocorrem dentro do grupo dos mamíferos, também, são muito semelhantes.
Justamente por isso, os alunos de Veterinária, Nutrição, Farmácia, Medicina, Odontologia, Zootecnia estudam juntos nos primeiros anos de faculdade.

Querem saber por que estou dizendo tudo isso?

Para explicar a alguns vets que não sou leiga... e porque estou cada dia mais perplexa com os absurdos e histórias que vivencio. Cito-os:

1) Receber um cão, com atestado de saúde dizendo que o mesmo está em "perfeitas condições de saúde, sem sinais de doenças infecto-contagiosas", quando o mesmo está quase verde de tantas lesões provocadas por fungo, além de otite, anemia e babésia (doença provocada pela picada do carrapato);

2) Perguntar a um vet qual a diferença entre os princípios ativos do Otomax e Otoguard, e ele não saber responder! Pior que isso, saber que ele continua receitando ambas medicações, desconhecendo seus princípios farmacológicos (você não precisa saber, mas seu vet é obrigado a saber 100% do que ele está receitando, ok?);

3) Ouvir de um vet: "Se eu fosse você, dava Promater para a sua cadela, é ótimo para aumentar o leite". Respondi: "Promater é a base de que mesmo?" Queria saber, né? Não sou leiga! Afinal, qual seria o princípio ativo mágico que produziria leite em minha cadela ANTES que ela parisse? Resposta do vet: "Ai, Camilli... infelizmente não vou saber te responder...";

4) Simplesmente não compreendo porque os veterinários não prescrevem os medicamentos da indústria farmacêutica humana! Quer ver um exemplo?
Rilexine 300mg - 24 comp - R$ 63,45
Cefalexina 500mg - 20 comp - R$ 22,00
O Rilexine é um medicamento da Virbac e seu princípio ativo é a Cefalexina. Existe algum problema comprá-lo da indústria farmacêutica humana, de empresas como a Pfizer, Eurofarma ou Medley?
Particularmente, confio mais na indústria para humanos que na destinada a pets.

5) Houve uma vez que um vet queria me convencer, a todo custo, a utilizar determinado produto em meus cães porque ele assistiu a uma palestra do fabricante deste produto e achou o produto "o máximo". Quase perguntei a ele: Não lhe passa pela cabeça que o fabricante NUNCA falará mal de seu próprio produto? Você não prefere ler uma publicação científica a respeito do mesmo?
E não estou citando aqui meus questionamentos com relação a protocolo vacinal, laudos de exames, diagnósticos tardios, etc, uma vez que os termos seriam demasiadamente técnicos para serem postados neste blog.

Me parece que o grande problema de muitos médicos-veterinários é se atualizar por folhetins que recebem no consultório, "artigos científicos" que as próprias empresas produzem sobre seus produtos (idôneo?) ou através de representantes comerciais de medicamentos que dizem maravilhas sobre determinados medicamentos, explicam como, quando e onde usar (!!!).

Entretanto, quando o cliente faz perguntas um pouco mais elaboradas ou exige um pouco mais de conhecimento... SAIA JUSTA.

VAMOS ESTUDAR TITIOS E TITIAS VETS!
ALGUNS DE VOCÊS ESTÃO ELAMEANDO A REPUTAÇÃO DE TODA UMA CLASSE.

Quem foi meu aluno já sabe: estudar só pelos livros já não dá! Eles saem da editora com uma defasagem de 1 ano, pelo menos. A ciência e a tecnologia estão, quase, voláteis. Quem quer ser um profissional atualizado, tem que correr atrás de publicações científicas na PubMed ou nos periódicos CAPES!