sábado, 1 de novembro de 2008

Meu Pai e Jujú

Passei a noite toda por momentos de profunda angústia.
A Jujú começou a ter repetidas crises de apnéia. Não havia aspirado leite, não havia aspirado carne, as crises simplesmente iniciaram, de súbito.
Corri com ela, desesperada, para um plantão veterinário e o vet me disse que ela estava "ótima" naquele momento: pulmões limpos, coração rítmico, mucosas coradas, sem febre... mas, tendo em vista o histórico dela (não saber mamar, pouco ganho de peso comparada com a ninhada), seria melhor eutanasiá-la para acabar com o seu sofrimento.

Esperei o dia amanhecer e fui me aconselhar com meu pai.
Meu pai, além de ser médico competentíssimo e ter sido professor de imunologia por mais de 30 anos na UFMG para a maioria dos vets ali graduados (com muitas publicações científicas em periódicos internacionais), é a pessoa que me ensinou a amar os animais desde pequenininha (continua ensinando os netos) e é, sem dúvidas, o meu melhor amigo.

Cheguei na casa dele com a Jujú, quase que com um pedido de "Por favor, vamos comigo ao veterinário, porque não tenho coragem de levá-la para a eutanásia sozinha."
Mas, ele pegou a Jujú no colo, auscultou seu coraçãozinho, pulmõeszinhos, deu pão molhado com leite (aimeudeus!), deu carne crua, deu água... arrumou uma caixinha para ela, forrou com um paninho e disse: "Ela parece muito boazinha... coitadinha... Deixe ela aqui, que eu quero observá-la."

Jujú está lá com ele agora.
E eu estou escrevendo este post, chorando como uma criança, feliz pelo pai que eu tenho, que está comigo em todas as horas, mas, paradoxalmente, triste, pela incerteza do futuro de Jujú.


Vovô Munir, netinhos e a banheira dos passarinhos.