quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Leishmaniose Canina - Parte III

Ainda sobre a palestra do Dr. Leonardo Maciel... aliás, tudo ou quase tudo que vou falar aqui será sobre ela!

Durante a palestra, ele falou sobre um livro de filosofia que leu recentemente.
Contou-nos que aquele que construiu a câmara de gás, que matou milhares de judeus, não sentia culpa, porque estava "cumprindo ordens".
Da mesma maneira, o soldado que conduzia as pessoas às câmaras de gás, também se eximia de qualquer sentimento de culpa, porque estava apenas "cumprindo ordens".

Fica claro que há um "burocratização do erro" e, consequentemente, uma "diluição da culpa". Ninguém se sente culpado de sua atitude, por mais aética que seja, porque está sempre cumprindo ordens.

Com relação ao TRATAMENTO DA LEISHMANIOSE CANINA é exatamente isso que acontece.

Alguém no topo do poder, orientado por um trabalho de técnicos com interesses duvidosos, assinou a Portaria Interministerial nº 1426 e deu-se o ínicio da burocratização do erro.
Quem assinou a portaria não sente culpa, porque foi orientado pelos técnicos.
O funcionário do Centro de Controle de Zoonose (CCZ) Municipal, que vai a casa das pessoas buscar os cães soropositivos para a eutanásia, não sente culpa, porque está cumprindo ordens.
Os veterinários que recusam-se a dar continuidade ao tratamento de seus antigos pacientes não sentem culpa, porque estão cumprindo ordens.
Aquele que faz a eutanásia de 50 cães de uma só vez, nas câmaras de gás dos CCZ, não sente culpa, porque está cumprindo ordens.
(...)

O tratamento da leishmaniose não cura o cão, não o livra do parasita, mas pode torná-lo capaz de NÃO transmitir a doença a outros cães ou a seres humanos. Isso é um fato indiscutível.
Desde que o proprietário se comprometa a tratar seu cão, até o último dia de sua vida, não há necessidade de eutanasiá-lo.
Mas, a opção (tratar ou eutanasiar) deve existir ao proprietário do cão doente.

Não cabe a ninguém, de nenhum órgão público, pelo menos na minha opinião, decidir pela vida dos meus cães. Nem de seus cães. Nem dos cães de ninguém. Saudáveis ou infectados com qualquer doença.

Segundo o Dr. Leonardo Maciel, o grande problema é que os órgãos publicos sabem que o tratamento impede a transmissão da doença. Mas, se forem investir em tratamento, teriam que abrir um SUS CANINO. Considerando que o SUS humano já é uma vergonha nacional, como esperar investimentos para cães?

Bem, eu não me permito ser aética porque estou "cumprindo ordens". Aliás, a falta de ética é algo extremamente perturbador para mim.
Faço parte daquele time que crê que tudo que fazemos é para nós mesmos, o bem e o mal.