quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Leishmaniose. Vacine!

Como eu já disse em uma postagem anterior, infelizmente, o Brasil atingiu a triste marca de país nº1 em casos de leishmaniose canina.
Motivo de vergonha nacional.

Quem não se comove com isso, DEVERIA, pois a leishmaniose é uma zoonose e, como se é de esperar, o nº de casos em humanos está aumentando.
Não se esqueça, a leishmaniose é transmitida por mosquitos que precisam de condições, não tão diferentes, as dos mosquitos da dengue para crescerem e multiplicarem.

Belo Horizonte e a Grande BH são regiões endêmicas da doença. Os cuidados devem ser redobrados.
Na minha opinião, como o país - do Oiapoque ao Chuí - oferece condições para que o mosquito se desenvolva, todos deveriam se prevenir contra uma epidemia.

Um cuidado que não abro mão é a VACINA.
Embora exista uma nova vacina no mercado, a Leish-Tec®, que possui uma tecnologia muito interessante, ainda não vi trabalhos publicados sobre ela, em periódicos científicos.
A Leishmune® é a primeira vacina produzida contra a leishamniose e é a que meus cães usam. O site deles até disponibiliza alguns trabalhos que a Fortdodge realizou, mas eu prefiro ler as publicações dos periódicos científicos.

Lendo estes publicações sobre a Leishmune®, aprendi muitas coisas importantes. Mas, há 02 (duas) informações de importância ímpar para todos nós:

- cães que foram vacinados contra leishmaniose, contrariamente ao que se acreditava, não apresentarão resultados positivos para o exame Elisa (um dos exames que se faz para diagnóstico, antes de diagnosticar o cão). Entretanto, o RIFI - reação de imunofluorecência indireta - sempre apresentará resultados alterados.
Portanto, refazer o Elisa para leishmaniose anualmente é uma boa medida de controle em áreas endêmicas, uma vez que NENHUMA vacina possui eficácia de 100%.

- cães vacinados contra leishmaniose, ao serem picados pelo mosquito palha, transmitem ao mosquito anticorpos contra leishmaniose. Esses anticorpos, no trato digestivo do flebótomo, atuam sobre as formas da leishmania, reduzindo a transmissão da doença.


Segundo o que tenho lido, não há dúvidas que em áreas onde os cães são vacinados há diminuição do índice de cães e, consequentemente, humanos afetados.
Parece haver uma sinergia entre a proteção no cão e o efeito bloqueador no mosquito.

Caso vocês se interessem, leiam estes artigos:
The FML-vaccine (Leishmune®) against canine visceral leishmaniasis: A transmission blocking vaccine

Leishmune® vaccine blocks the transmission of canine visceral leishmaniasis: Absence of Leishmania parasites in blood, skin and lymph nodes of vaccinated exposed dogs

Immunotherapy against experimental canine visceral leishmaniasis with the saponin enriched-Leishmune® vaccine

Safety trial using the Leishmune® vaccine against canine visceral leishmaniasis in Brazil