domingo, 5 de julho de 2009

Hemivértebra em Frenchies II

Por tudo que tenho lido, existe um consenso entre os pesquisadores: o buldogue francês é um dos cães mais comumente afetados pelo desenvolvimento desproporcional dos ossos dos esqueleto, como pernas, tronco e focinho curtos.





Em frenchies, as pressões anormais que o sistema músculo-esquelético sofre, podem levar ao desenvolvimento de alterações condrodistróficas. E, é provável que uma tendência à formação de alterações vertebrais seja um efeito colateral do desenvolvimento de cães que nós selecionamos para caracterizar a nossa adorável raça. Afinal, estamos sempre buscando cães de tronco curto e robusto, segundo reza o padrão da raça.


O crescimento parcial de uma vértebra, que permanece em forma de cunha ou borboleta, podendo ocorrer numerosamente, é uma alteração comum em frenchies, selecionada no desenvolvimento da raça. Essas vértebras anômalas são chamadas de HEMIVÉRTEBRAS.

Segundo Dr. George Keller, diretor da equipe veterinária da OFA, epidemiologicamente, as hemivértebras em frenchies ocorrem assim:

- hemivértebras toráxicas são mais frequentes, sendo que:
-- 81% dos cães apresentam 5 ou menos hemivértebras,
-- a maior parte delas está entre T5 e T9,
-- em 76% dos casos, 3 ou menos são contíguas

obs- vale lembrar que "frenchies com 6 ou mais hemivértebras" e "frenchies sem hemivértebras" incluem 19% dos casos.


É importante que as pessoas saibam que se o veterinário disser "SEU FRENCHIE POSSUI HEMIVÉRTEBRA(s)" isso não significa muita coisa.

Segundo o mesmo Dr. Keller, em estudos recentes da OFA, não há relação entre o número de hemivértebras e a possibilidade de predizer de o cão é mais ou menos vulnerável a paralisias, pois frenchies sem alterações vertebrais também apresentam paraplegia. Afinal, cães sem alterações vertebrais estão susceptíveis a impactos e consequências decorrentes a estes.
O que se observa é que frenchies com corpo mais curtos, apresentam mais hemivértebras que frenchies longos.


Impactos significativos ou, mesmo, pequenos impactos que se somam ao longo do tempo e produzem um grande efeito, podem comprimir a medula espinhal (prolongamento cerebral que passa por cada vértebra), produzindo a paralisação dos membros do cão, de maneira temporária ou definitiva.
A paralisia é produzida pelo inchaço da medula entre os discos vertebrais e, o que o veterinário irá fazer imediatamente, determinará o sucesso da recuperação do cão.


A equipe de veterinários da criadora de frenchies, Elena Siegman, sugere que quando o cão apresentar sintomas de lesão medular, IMEDIANTAMENTE, o veterinário deve entrar com medicação anti-inflamatória potente e o cão deve ser mantido em repouso, no crate.  O objetivo é reduzir o inchaço do tecido comprimido pelas vértebras e evitar danos irreversíveis.
Acupuntura e quiropraxia podem ser utilizados, também.

O prognóstico dependerá da SEVERIDADE DA LESÃO MEDULAR. Por isso, é importante fazer a imobilização do cão o quanto antes e manipulá-lo o mínimo possível.