quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Adoção responsável

Assumir uma postura acaba sendo um divisor de águas na vida de qualquer pessoa.
Quando alguém diz que fulano é uma pessoa política, deveria estar dizendo que "fulano defende os interesses coletivos", mas, infelizmente, não é bem isso que acontece!

O fulano político tenta agradar a todos, porque sabe que a maioria das pessoas não está preparada para ouvir uma opinião sincera e direta (mesmo quando há solicitação). O fulano político sabe que as pessoas precisam ter seu enorme e inseguro ego massageado a todo instante. Mas, não é preciso ser gênio para saber que quem quer agradar a todos não agrada ninguém.

Quem acompanha este blog, já sabe que não sou dada a atitudes políticas.
Caminhando, ao longo destes 2 anos, descobri como é importante utilizá-lo como veículo de informação na educação para a posse responsável de cães - no sentido mais infinitamente amplo que essa palavra possa ter.


Meu foco é discutir idéias, atitudes e não pessoas. Entretanto, muito do que as pessoas fazem diz muito sobre quem elas são.

Mais uma vez, vou assumir uma postura que esperava já ter encontrado alguém que a assumisse anteriormente. Educar e cuidar é o que nós podemos fazer.




A Ana Corina, do Mãe de Cachorro Também é Mãe, vem publicando uma série muito bacana, chamada Guia de Raças. Como ela mesma disse, "o número de animais de raça abandonados no Brasil não só é imenso, como cresce absurdamente. Assim, a adoção deles também é uma realidade."
Em virtude desta questão, para que a adoção seja consciente, o Guia de Raças aborda os prós e contras de cada raça.

É fácil conferir o que a Ana está falando! Dêem uma passadinha no blog da Priscila Coelho - Adote, Não Compre! - e será possível ver como há muitos cães de raça disponíveis para adoção.

Mesmo no caso de infelizmente cães da moda, como os frenchies, há muitos abandonos. Não me refiro aos e-mails que recebo de pessoas, que por motivos diversos, não podem mais ficar com seu orelhudo e me pedem ajuda para que eu encaminhe o cão a outra pessoa. Me refiro aos casos de cães que são abandonados em hotéiszinhos, pet-shops, clínicas veterinárias e, até mesmo, na rua, à própria sorte.

Além da questão do sofrimento do indívíduo, estes cães abandonados são um problema social e de saúde pública, porque procriam, aumentam a população de cães errantes e transmitem doenças, para outros os cães, outros animais e para o próprio homem.

Incansavelmente, repito sobre a importância da atuação de um criador de cães responsável para que o vício do abandono não aconteça.

É fácil concuir que todo cão sem raça definida (vulgo vira-lata) descende de um cão de raça pura, não importa quão longe seja esse parentesco.
Como cada raça possui particularidades de temperamento e, inclusive, questões de alterações de temperamento que podem ser hereditárias, seus descendentes - de raça ou não - herdam suas características, boas e ruins.


Portanto, sem querer falzer apologia aos cães de raça, apenas sendo honesta, a pergunta óbvia é:  de onde surgiu o mito que cães sem raça definida são mais confiáveis ou mais dedicados a seus donos ou possuem melhor temperamento que os cães de raça?
Fico aqui pensando, na loucura hipercinética que pode nascer da descendência de fox terrier com um parente de beagle? Ou que pode nascer quando a mistura acontece entre parentes de cães de guarda com desvio de temperamento?


O trabalho das entidades que trabalham com doação de animais de estimação é muito louvável, entretanto sinto falta de atitudes educativas por parte de muitas, quanto à questão de selecionar proprietários adequados, afim de evitar o reabandono dos cães.

É importante educar as pessoas sobre o valor de uma vida. Mas, o que tenho observado são animais disponíveis para adoção sem muitos critérios e, o que me apavora completamente, animais sendo doados em  feirinhas. Qual a diferença entre uma feirinha de venda e uma de adoção, sob a ótica da dignidade do animal? Será que uma feirinha de adoção é educativa?
Na minha opinião, não.







Infelizmente, o que tenho visto é que, grande parte dos adotantes, é movida pelo ímpeto de adquirir um cão gratuitamente - e não pela atitude amorosa de adotar um cão, prover-lhe um lar e uma família.
Essas pessoas entram em choque quando descobrem que adotar não é de graça, porque o cão precisa de vacinas, medicamentos, fica doente, precisa de banho, alimentação específica, e por aí vai.

Doar foi legal? Não.
Adotar foi legal? Não.
Resultado? Reabandono.






Por que não ser um exemplo vivo do próprio discurso?
Somente nós, que protegemos os cães, podemos mudar essa realidade. Somos todos protetores.  

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