sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A pior parte da criação de cães

Da minha época de criadora de buldogues franceses, havia uma coisa que eu odiava, ODIAVA, fazer: selecionar os futuros humanos de estimação dos meus filhotes.

Sempre me senti mal tendo que dizer "desculpe-me, mas infelizmente você ainda não preenche os requisitos que exigimos. (...)".

Certa vez, uma moça muito bacana, que conheço pessoalmente, me escreveu querendo um filhotinho meu. Ela tinha acabado de se separar e queria um buldoguinho para lhe fazer companhia. O problema é que ela trabalhava o dia inteiro, passava 10 horas seguidas fora de casa, e o filhote ficaria sozinho nesse período, trancado dentro do apartamento. Lembro-me de ter enviado um e-mail a ela, explicando meus motivos de negar-lhe o filhote e, no mesmo dia, recebi um e-mail tristíssimo de volta. Me senti péssima por deixá-la tão chateada, mas eu me sentiria pior imaginando aquele filhotinho, que nasceu em minha casa, passando horas, semanas, meses enlouquecendo dentro de um apartamento fechado...

Mesmo isso tendo se passado há 08 (oito) anos, ainda me lembro com tristeza, apesar de saber que tomei a decisão certa. Situações semelhantes aconteceram várias outras vezes e, várias outras vezes, me senti horrível por entristecer alguém.

Mas, explico, eu não estava tentando fazer ninguém se sentir mal, apenas queria que meus filhotes crescessem em lares que pudessem fazer com que eles se desenvolvessem em sua plenitude, lares onde eu não teria dúvidas que esses filhotes envelheceriam. A razão das minhas entrevistas era somente escolher o que fosse o melhor para o filhote.

Então, se você ficou chateado comigo por isso, peço desculpas, eu não queria te magoar. Se você tem um buldoguito meu, peço desculpas também pelo excesso de perguntas... pela inquisição. Tenho certeza que hoje você me compreende. <3






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