quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O amor que desrespeita

Obrigada, Dra. Fernanda Pecoraro - médica-veterinária homeopata por quem tenho uma enorme admiração - por este texto tão lúcido, regado com muita sabedoria e sensibilidade. ♥

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Tenho anos de formada, trabalhei em diversas clínicas atendendo cães e gatos e depois resolvi vivenciar novas experiências com hotel, canil e homeopatia. Foi quando tudo mudou. Saí de uma vida “quadrada” e passei a viver uma loucura maravilhosa. Nunca mais tive rotina e a amplidão que se abriu compensou tudo! Estudei comportamento, psicologia, criação, reaprendi a olhar o outro, reaprendi a lidar com os problemas, reaprendi a vida.

Antigamente os passeios eram feitos ao ar livre, aproveitando tudo o que a Natureza pudesse nos dar. Enquanto ela nos oferecia uma enorme variedade de texturas, cores, formas, pesos... as pessoas criavam. As crianças eram crianças, as brincadeiras eram produtivas, criativas, faziam despertar o raciocínio. Elas aprendiam com as experiências e criavam... CRIAVAM as histórias, os brinquedos, criavam vida! Com os cães também era assim. Eles eram denominados “filhos de rabo”, amados, inseridos na rotina da família e usufruíam dos passeios com todos ao redor. Sabíamos que esse animal não seria abandonado na velhice quando não conseguisse mais andar ou ficasse incontinente. Ele era membro dessa família!

Muita gente me pergunta hoje o que mudou. Digo que mudou TUDO! Mudou a relação, mudou o amor, mudou a forma de amar. Amar é complexo, envolve taaantas coisas...

A meu ver, amar uma espécie, qualquer ela que seja, é deixá-la agir e se expressar de acordo com o comportamento normal, característicos da espécie em questão. Não deixá-los viver a sua essência é um amor que desrespeita. Desrespeitamos uma criança ao colocá-la em frente da televisão ou do computador o dia todo e desrespeitamos um cão ao deixá-lo preso em casa ou os vestindo como bebês. As duas espécies precisam experimentar a vida, as situações, lidar com as diferentes emoções frente os acontecimentos corriqueiros, precisam ser educados para vivenciar o amor, o respeito, aprender os limites. Os adultos sensatos e conscientes devem observá-los apenas, dar a segurança necessária para que eles possam a ganhar confiança e realizar as suas próprias descobertas. Somente assim eles serão felizes. Privá-los disso os desrespeita.

Diariamente vejo fotos e mais fotos nas redes sociais de cães vestidos com roupas de bebês, em cima dos sofás e camas, com chupeta na boca. Essas imagens me chocam! É só olharmos nos seus olhos e ver aquele brilho murcho. Infelizmente essa é a nova moda, a nova onda a ser seguida por um mar de gente que se permite ser levada pela corrente. Esse amor não liberta, não protege, não agrega, não respeita.





Estamos nesse mundo com o poder da escolha e com o poder da mudança de pensamento através da experimentação.

Experimente mudar, experimente o ar livre, abra seu coração e mente sem receios e veja o poder do brilho dos olhos dos seus cães ao correrem livres pelos parques.

Seja respeitador da vida do seu melhor amigo! 

(Fernanda Pecoraro, médica-veterinária homeopata e proprietária do espaço Chacrinha Centro de Bem Estar Animal - Hotel e day care para cães  em São Paulo)





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