quarta-feira, 23 de março de 2016

Socialização de filhotes

Texto de Emmanuelle Moraes, educadora canina especialista em comportamento e socialização de cães, escrito especialmente para o nosso blog. A Emmanuelle é uma das melhores comportamentalistas do Brasil e oferece consultoria, mesmo à distância, caso você esteja precisando de orientação de qualidade na educação do seu frenchie.

Apertem os cintos e aproveitem cada palavra! ♥

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Socialize o seu filhote!

Ser educadora de cães, no Brasil, é quase sinônimo de atuar fortemente na resolução de problemas comportamentais, como reatividade e agressividade. Em uma maioria esmagadora, os meus clientes possuem cães adolescentes, adultos e idosos com problemas de comportamento. São cães que não receberam educação preventiva e que, por falta de informação, tiveram o período de socialização NEGLIGENCIADO.

Referida negligência é resultante de falta de orientação adequada por parte do: criador, veterinário e profissional do adestramento.

Os tutores se amparam em orientações equivocadas por parte dos veterinários (desinformados quanto à socialização), para manter os cães em uma “bolha de vidro” até estarem totalmente imunizados. E as consequências de um filhote não socializado - comportamento reativo e agressivo - iniciam, geralmente, quando adolescentes e adultos.

Antes de continuar, considero válido definir:

O que é o Período de Socialização?

Ao longo da vida, os cães passam por fases de desenvolvimento. Em resumo, elas vão desde o nascimento até a fase idosa. Mas é sobre o período de socialização que eu quero falar com vocês, pois nós o chamamos de “Período de Ouro” da vida de um cão.

Essa fase compreende desde o 21° dia de vida e vai até (em média) os 5 meses e meio do filhote.

E é nesta “Fase de Ouro” que os cães precisam ser apresentados, de maneira gradual, positiva e frequente aos mais variados estímulos (estímulos imagináveis e inimagináveis) que os nossos peludos irão conviver ao longo de toda a sua existência. 

Se você deseja que o seu cão se relacione bem com outros cães, animais, crianças, pessoas de todos os tipos e também ambientes variados, é neste momento que deve prepará-lo com muito empenho.

E arrisco salientar que quando essa fase é negligenciada restará “correr atrás do prejuízo”, mas, dificilmente, conseguiremos os mesmos resultados que obtemos quando um cão é socialização adequadamente.

Atenção! É necessário saber como promover a socialização. Se os estímulos forem apresentados com intensidade acima da suportável pelo cão, é bem possível que gerem traumas. O limiar entre socializar e criar problemas é bastante tênue. Portanto, saiba o que está fazendo!

O tempo escorre entre os dedos.

Quando um aluno chega com o seu novo filhote, embora todos pareçam se preocupar apenas com a educação sanitária (isso porque é o que lhes incomoda neste momento), eu não deixo de orientar sobre a importância da socialização.

Não que a educação sanitária não seja importante, pelo contrário. Ela é muito! Mas, ocorre que o tempo está escorrendo entre os dedos, e ele não para - e não volta baby!

São comuns as vezes, quando abordo os tutores sobre o tema, que escuto justificativas como estas:
“Mas o meu filhote já é socializado! Ele convive com outros cães em casa” ou “Meu cão se dá bem com o cão da minha mãe.” E, entre tantas coisas que escuto, lá vou eu “rezar a missa” novamente!

Um cachorro ser amigo dos cães da própria casa, dos cães de parentes ou de alguns amigos, bem como ter sido apresentado a 10 diferentes cães, não tem nada a ver com socialização. E, isto não vai garantir que o seu pequeno se relacione bem com outros cães quando chegar na adolescência ou quando se tornar um adulto. Portanto, mexa-se!

Se quer que seu cão saiba que ele é um cachorro, como se relacionar com outros indivíduos da própria espécie e saber se expressar e compreender a linguagem canina, então vá socializá-lo! 

Se deseja que ele se torne um cão seguro quando adulto, que possa ir com você a uma praia, a um parque, cafés e casa de amigos com outros cães, socialize-o!

Se deseja que o seu cão seja amigável com os amiguinhos do seu futuro filho, socialize-o com crianças mesmo que ainda não tenha uma.


Fonte: http://www.mirror.co.uk/



E se ele for extremamente sociável?

Existe o outro extremo: aqueles que consideram que possuem um cão muito sociável e que ocupam o outro lado de toda essa questão. 

Um cão que quer brincar com todos os demais, sem limites, a acaba sendo inconveniente e se metendo em confusões. Ser sociável não é apenas ser um mega e impulsivo brincalhão com outros animais, mas também saber interagir. É importante brincar adequadamente, compreender o que o outro cão está “falando” e saber que nem todos querem interagir ou brincar o tempo todo. 

E quando falamos dos adorados buldogues, então, tudo que destaquei acima precisa receber atenção triplicada.


Os Buldogues

Essa raça tão adorada por todos nós (eu tenho uma escancarada paixão por eles! a logo da minha empresa é um buldogue, não por “obra do acaso”) possui algumas particularidades que exigem que os tutores se dediquem ainda mais a socialização. 

Eles são fortes, impulsivos, fazem um barulho estranho ao respirar, e costumam rosnar e latir na hora de brincar. Também, gostam de bastante contato na hora das interações e necessitam de maior habilidade em entender que algo acabou, encerrou e é hora de parar. 

Agora, coloque-se no lugar dos outros cães, e imagine como é interagir com os “delicados” buldogues. Imaginou?


O que o seu filhote precisa aprender?

Ensinar como interagir com outros amiguinhos é fundamental! Saber brincar com outros cães que não gostam de brincadeiras com a boca, saber dividir brinquedos, não dar patadas no outro e entender quando o amigo não quer interagir são requisitos de um cão sociável.

Também é fundamental saber se aproximar do novo amigo. Chegar latindo, fazendo um “escândalo” ou com muita agitação, vai assustar o outro cão e pode provocar uma reação não amigável, no mínimo. Concordam?

Estar familiarizado a diferentes locais para poder acompanhar os tutores, sabendo manter-se calmo quando necessário, também é fruto de uma socialização consistente e de base, e só será possível se o filhote se sentir confortável dentro daquele contexto.


Fonte: Instagram


E afinal, como promover a socialização?

Vamos lá:
Tão logo o filhote chegue à sua casa (isso nunca deve ser antes de 02 meses de idade), mesmo antes do seu cão estar com as vacinas iniciais completas, já é possível e NECESSÁRIO começar a socializá-lo. 

Passeios de carro e a pé, mas com ele no colo, vão possibilitar a exposição a diferentes estímulos sem expô-lo a contaminações. Apenas evite que seja tocado por outras pessoas pois isto pode irritá-lo e estimulá-lo a morder as mãos.

Em casa promova reuniões com o objetivo maior de socializá-lo. Jogos de futebol com homens, pizzas com as amigas, Hot Dog para as crianças. Não importa o tema e sim o tipo de pessoas que irá trazer para o convívio com o seu cão. E variando, como nas sugestões acima, vai permitir que seu filhote conheça todos os tipos de pessoas.

Atenção! Direcione a interação com crianças. Não permita que o filhote seja incomodado e, muito menos, pego no colo.

Frequente as Aulas de Socialização de Filhotes (aulas em grupo de educação canina e socialização). São nelas que os tutores (e também os cães) aprendem sobre linguagem canina, aprendem como promover adequadamente a socialização e aprendem a expor o pequeno aos mais variados estímulos, na em qual intensidade correta.

Creches de qualidade também são oportunas para intensificar as habilidades sociais dos cães.

E agora que você já fez a sua lição?

E mesmo depois de ter feito toda a “lição de casa” sobre socialização tenha a consciência de que deverá manter tais hábitos ao longo de toda a vida do seu cão. O comportamento de um cachorro é a soma de todas as exposições e reforços que ele recebeu ao longo da sua vida. E mesmo que tenha feito tudo certinho até os 5\6 meses do filhote, se não houver continuidade de todo o trabalho, ele poderá ser perdido.

Entretanto, se o período de socialização do seu cão já foi perdido, se você não recebeu a orientação adequada quando o filhote chegou e agora tem que lidar com problemas de comportamento (medo, reatividade e agressividade), procure um profissional positivo e que tenha experiencia em modelagem comportamental para orientá-lo na socialização do seu melhor amigo. 



Emmanuelle Moraes - www.educadoracanina.com.br
Educadora canina especialista em comportamento e socialização de cães
Membro da The Association For Force Free Pet Professionals
Florianópolis - Santa Catarina.
♦ Skype: emmanuelle.moraes
♦ Facebook: www.facebook.com/educadoracanina
♦ Instagram: www.instagram.com/educadoracanina_emmanuellem





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