terça-feira, 1 de março de 2016

Tratamento homeopático em cães

Em 2011, a Dra. Fernanda Pecoraro, médica homeopata, tratou a sarna demodécica da buldoguinha Sookie com muito sucesso. Para conhecer a história e o tratamento dessa frenchie que nasceu em uma fábrica de filhotes, clique aqui.

Hoje, a Dra. Fernanda nos conta um pouquinho sobre o que é a homeopatia e como ela funciona.

A homeopatia deveria ser o tratamento de escolha para todo buldogue francês!


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Muita gente me pergunta como a homeopatia age, como funciona, como escolhemos o medicamento mais indicado, o que se espera de melhora... Muitas perguntas são assim: "Essa medicação vai agir no fígado (ou outro órgão) do meu cão? Pra que serve esse medicamento? Vai funcionar onde?". São tantas as dúvidas que resolvi escrever um pouquinho sobre isso.

A homeopatia é científica porque tudo o que conhecemos foi obtido através da experimentação e é vitalista porque ela não considera nem trata nenhum órgão ou função isoladamente. Prescrevemos sempre pela totalidade de sinais e sintomas para cada caso individual da doença. Acreditamos que exista um ser imaterial, animador do organismo vital (princípio ou força vital) que é responsável por todas as sensações e funções, tanto no estado são quanto no mórbido. Postulamos a interdependência entre o que chamamos de FV (Força Vital) e organismo material, instrumento do Espírito dotado de razão.

Qualquer alteração no corpo ou na alma, só se tornam reconhecíveis para nós através dos sintomas. Muitas vezes nos deparamos com tutores que nos procuram dizendo que o cão não está bem. Perguntamos o que ele tem e a reposta é “nada, não tem nada, mas o conheço e ele não está bem”. O veterinário solicita exames e não encontra nada. A medicina atual é materialista enquanto a doença não se “calcificar” e aparecer para nós, através de sintomas ou nos exames, o consideramos saudável. Para um homeopata, esse “ele não tem nada, mas não está bem” é um alerta. Ele vai começar a expressar algum desequilíbrio. Sempre escolhemos a medicação pelo conjunto de sintomas coletados do paciente que tenha correlação com a nossa Matéria Médica.

Quando digo que a homeopatia é científica quero dizer que houve uma experimentação e que ela foi feita por indivíduos sãos, sem preconceitos, sem doenças crônicas, de ambos os sexos que tivessem um regime de vida controlado, utilizando uma substância de cada vez. Os sintomas obtidos eram anotados pela própria pessoa ou por um observador médico. Esse conjunto de sintomas anotados por vários experimentadores deu origem à nossa Matéria Médica.

Então temos os sintomas de um animal de um lado e a Matéria Médica (coletânea se sintomas) de outro e como escolhemos o medicamento mais indicado?

Todo medicamento capaz de despertar determinados sintomas no indivíduo é capaz de curar os sintomas semelhantes que se apresentam no indivíduo enfermo. Não basta ele ser semelhante, tem que ser um pouquinho mais forte. A prescrição é por semelhança. 

“Se o médico percebe claramente o que há para ser curado nas doenças, isto é, em cada caso individual de doença (conhecimento da doença, indicação), se ele claramente percebe o que é curativo nos medicamentos, isto é, em cada medicamento em particular (conhecimento das virtudes medicinais), e se sabe adaptar, de acordo com princípios bem definidos, o que é curativo nos medicamentos, ao que considerou indubitavelmente patológico no paciente, de tal maneira que a cura deva sobrevir; se sabe adaptá-lo tanto a respeito da conveniência do medicamento mais apropriado quanto ao seu modo de ação no caso de que se trata (escolha do remédio, medicamento indicado), como da maneira exata de sua preparação e quantidade (dose certa), e do período apropriado de sua repetição; se, finalmente, conhecer os obstáculos ao restabelecimento em cada caso, e sabe removê-los de modo que a cura seja durável, então ele saberá agir de maneira racional e profunda, e então ele será um verdadeiro médico” (S. Hahnemann). 

Fácil? Não, nada fácil. Digo mais... algumas vezes somos nós, homeopatas, o obstáculo à cura. Falarei desses obstáculos num outro momento.

Hahnneman sabidamente nos diz:  “No estado de saúde, a força vital de natureza espiritual, que dinamicamente anima o corpo material (organismo), reina com poder ilimitado e mantém todas as suas partes em admirável atividade harmônica, nas suas sensações e funções, de maneira que o espírito dotado de razão, que reside em nós, pode livremente dispor desse instrumento vivo e são para atender aos mais altos fins de sua existência”.

Acredito que a busca seja sempre para que cada um seja capaz de atender “os mais altos fins de sua existência” e a homeopatia é mais um instrumento para que isso seja possível. A homeopatia deve conseguir diminuir as suscetibilidades que levam o indivíduo a adoecer. A priori nenhuma característica de personalidade será modificada, busca-se diminuir o exagero apenas.


(Fernanda Pecoraro, médica-veterinária homeopata e proprietária do espaço 

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