terça-feira, 3 de maio de 2016

O seu cão pula em você e nas pessoas?

Texto de Emmanuelle Moraes, educadora canina especialista em comportamento e socialização de cães, escrito especialmente para o nosso blog. A Emmanuelle é uma das melhores comportamentalistas do Brasil e oferece consultoria, mesmo à distância, caso você esteja precisando de orientação de qualidade na educação do seu frenchie.

Este texto é incrivelmente importante, porque, além de ser um hábito socialmente desagradável, o costume de pular pode provocar lesão medular nos frenchies. Corrija esse comportamento do seu buldogue francês!  ♥

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O seu cão pula em você e nas pessoas?

Se a resposta é sim, parabéns pelo seu treino! Este hábito é resultante do treinamento que ele recebeu de você, tutor, desde a primeira interação, quando filhote ou adotado, e por todo o tempo em que convivem. Também é consequência daquilo que você não ensinou para ele, como exemplo: interagir sem saltar nas pessoas. 

Mas se o objetivo não foi ensinar o teu cão a pular nas pessoas, então este texto será oportuno. Eu tenho muito para falar sobre o assunto e te ajudar com isso. Mas gosto de chamar as pessoas à responsabilidade pelos comportamentos de seus cães, pois acredito que só após assumirem o papel que possuem no desenvolvimento comportamental deles é que “a coisa anda”. 

Já são mais de 13 (treze) anos ensinando pessoas a compreenderem e a se relacionarem melhor com seus cães. E sei que quando a responsabilidade é assumida, os objetivos podem ser alcançados.

Quando filhotes, os cães costumam pular nas pessoas na hora de interagir. Normal, até ai. Eles são pequenos, fofinhos e bem recebidos quando saltam nas pernas para interagir. Ocorre que, um dia, eles crescem e as consequências dos saltos passam a crescer em força e resultados. Quando isso acontece, é comum que as pessoas passem a se incomodar com o comportamento que até pouquíssimo tempo atrás era aceito. Então, “do dia para a noite” os humanos envolvidos alteram as regras, deixando o filhote confuso e até frustrado.

Posso apostar que os filhotes pensam: 

“Tudo isso é uma grande injustiça! Como assim, mudaram as regras de uma hora para a outra? Talvez eu precise pular ainda mais alto e mais forte para conseguir falar com eles…”.

É certo que todo filhote vai crescer um dia. Os de raças pequenas terão suas unhas mais firmes e seus saltos serão mais eficazes. Imagine o que vai acontecer com cães mais fortes e pesados, como os Buldogues, por exemplo?

Eu confesso, sem problema algum, que não gosto de cães me saltando. Não gosto porque me machucam, arranham as pernas, sujam e rasgam as roupas... 

Trabalhando com cães há tanto tempo, não me faltam roxos nas pernas por conta disso. E já levei algumas cabeçadas, sendo que uma delas cortou a minha boca. Claro que, com o tempo, fui ficando esperta, melhorando na esquiva. Mas o objetivo nunca foi me tornar habilidosa em desviar de “cabeçadas”, mas em ensinar as pessoas a treinarem seus cães para que tenham bons comportamentos. Então, vamos lá!


O primeiro passo
Você precisa ensinar o seu cão a sentar. Esse é um comportamento mega básico e fácil de treinar. Ensine-o, pois iremos utilizá-lo de agora em diante.


O segundo passo
Uma vez que o seu cão sabe sentar, peça para que sente antes de TODA e QUALQUER interação. Eu não errei a caixa das letras em maiúsculo!  Eu realmente quis dizer: TODA e QUALQUER INTERAÇÃO. Ressaltei para que não sobre uma sombra de dúvida nessa regra, certo?

Vou exemplificar para deixar ainda mais claro. Peça para o seu cão sentar antes de: falar com ele, dar carinho, entregar a comida, abrir a porta, atirar a bola, pegar o brinquedo, colocar a guia, entrar e sair do carro… 

Se você conseguir os 04 (quatro) primeiros exemplos já estará muito perto do sucesso e os demais se tornarão mais fáceis. Se não conseguir, será necessário procurar um profissional positivo para orientá-lo. Em outro momento, preciso esclarecer sobre o que o um treino positivo, bem como aquilo que não é. Mas é assunto para outro post. Não caiam em “barca furada”, submetendo o seu cão a um treinador que utiliza aversivos (enforcador, trancos, colar de choque, jatos de spray…) e nem que te oriente a ser o “líder da matilha”. Certo?


Ao chegar em casa
Quando chegar em casa nada de saudações a um cão que pula feito canguru. Entre, vá ao banheiro se aliviar, lavar as mãos... Troque de roupa. Responda algumas mensagens no Whatsapp, beba água e só fale com  ele quando já estiver se acalmado, sentado ou deitado, e com a respiração menos ofegante. Isto pode levar, em média, 20 minutos nas primeiras vezes. 

Com ele calmo, peça para sentar e, após isso, você já pode rolar no chão, fazer bagunça e qualquer coisa que tenha vontade, afinal, acaba de recompensar o comportamento desejado: estar calmo, sentado, não agitado e pulando.

Essa costuma ser uma das partes iniciais mais complicadas para os pais e mães de cachorros conseguirem fazer, pois sentem-se culpados em não dar atenção. Mas tenha em mente que será por um tempo e é necessário para modificar o comportamento indesejado e ensinar o que desejamos, beleza? O teu cão jamais vai deixar de te amar e ficar feliz quando te vir agindo assim. Eu garanto!


Generalizando o comportamento com pessoas estranhas e visitas
Durante os passeios na rua ensine o seu cão a não ir interagir sem ser convidado. Os cães não devem abordar pessoas que apenas estão passando por eles. Nunca sabemos o quanto isso pode ser incômodo para os outros. Algumas pessoas possuem medo ou apenas não estão interessadas em interagir. Devemos respeitar e ensinar isso aos nossos cães.

Mas quando as pessoas demonstrarem que querem interagir será a hora de treinar. Antes, peça para a pessoa esperar o cão sentar para, só então, se aproximar dele. Peça para que o cão se sente e recompense-o com petiscos, continuamente, por toda a interação até que a pessoa se afaste, indo embora. Agora, diga: “Ok!” e convide-o a seguir com você pelo passeio.

Com o tempo, treinando como ensinei, os cães já irão sentar antes de falar com estranhos e se manterão assim por todo o tempo sem uso de petiscos. Basta fazer o treino de forma consistente e evoluir nos critérios gradualmente. Ah! Jamais utilizo enforcadores para passear ou treinar e, muito menos, dou trancos nos cães. Além de totalmente desnecessário, MACHUCA e é agressivo!

Já em casa com visitas, após ter sido treinado para interagir adequadamente com a própria família, é hora generalizar esse comportamento. Inicialmente, é indicado receber as visitas com os cães presos em outro lugar da casa. Passado algum tempo, busque o cão. Mas apenas se ele não estiver chorando, arranhando a porta ou latindo. E traga-o para o ambiente onde estão as pessoas que chegaram, na coleira e guia.

Mantenha-o na guia, vale oferecer algo para roerem - como Kongs recheados - sentando-se um pouco distante de maneira a impedir que mesmo na guia ele alcance as pessoas e pule.

Apenas quando ele estiver calmo se aproxime de maneira segura e peça para sentar. Somente quando o cão estiver sentado é que poderão chegar um pouco mais perto para oferecer carinho. Se ele se agitar, indique para parar e retire-o gentilmente pela guia, para o local onde estava roendo o Kong. Repita quantas vezes for necessário. Só solte-o quando souber que o cão não mais irá pular e, se necessário, isole-o novamente para que você possa relaxar com os seus amigos. Muitos cães terão que ser expostos apenas presos à guia por diversas vezes antes de poderem ser soltos em meio às visitas.

Se esse treino for feito de maneira gradual e consistente não vai demorar para alcançar o seu objetivo. Se sentir dificuldades, vale muito buscar orientação de um profissional qualificado, que utilize apenas metodologia positiva.

Bons treinos!


Emmanuelle Moraes
Educadora canina especialista em comportamento e socialização de cães
Membro da The Association For Force Free Pet Professionals
Coordenadora Day Care Educativo Petcare Center, Floripa\SC.

www.educadoracanina.com.br
Skype: emmanuelle.moraes
(48) 9994-8603 (Florianópolis/SC)
Facebook: Educadora Canina Emmanuelle Moraes





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