sexta-feira, 15 de julho de 2016

Seu cão lambe compulsivamente as patinhas?

Texto de Emmanuelle Moraes, educadora canina especialista em comportamento e socialização de cães, escrito especialmente para o nosso blog. A Emmanuelle é uma das melhores comportamentalistas do Brasil e oferece consultoria, mesmo à distância, caso você esteja precisando de orientação de qualidade na educação do seu frenchie.

Aproveite cada palavra dessa orientação sensacional e gratuita! ♥

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Cobrir as patas de um cão que se lambe compulsivamente não resolve o problema e pode desencadear outros tipos de compulsão - como a coprofagia, por exemplo.


Como saber quando o simples comportamento de lamber as patas pode ser um indicativo de que algo não vai bem na vida do seu cão?

Atualmente, a queixa por parte de tutores de cães que lambem a pata além do normal é crescente. Mas será que sempre foi assim? Certamente que não! E por quê?

Os cães de antigamente (mas não tão antigamente assim) tinham uma rotina de vida mais interessante. Vivendo nos quintais das casas, de maneira mais rústica, eles tinham o que fazer durante suas rotinas diárias.  Seja na guarda da propriedade, ou apenas por poder vasculhar um quintal de terra, caçar algo, roer um graveto ou um osso, andar quilômetros e rastrear algo, interagir com outros cães, ou mesmo ter que afugenta-los de seu território... Eles, simplesmente, tinham o que fazer!

Mas a realidade atual mudou muito. Cada vez mais os cães estão vivendo confinados em apartamentos, passam muitas horas sozinhos a espera dos tutores que estão presos as suas obrigações cotidianas, que os forçam a ficar fora de casa pela maior parte do dia.

Pobres cães!  Não apenas aqueles que vivem em apartamentos onde o espaço é reduzido e o ambiente totalmente artificial, mas os que ficam isolados em casas também sofrem.

Eu me preocupo muito com o rumo que a criação (refiro-me a criação do cão doméstico por parte do seu tutor) de cães está tomando. Ambientes artificiais, cães impedidos de interagir com o natural e de se “sujarem”, sem possibilidade de gastar toda a imensa quantidade de energia que possuem. 

E o que isso tudo tem a ver com a lambedura excessiva de patas? 
Bem, pode ter tudo a ver!

O hábito de lamber ou até morder as patas excessivamente é um indicativo de estresse e ou ansiedade na vida de um cão. Quando esse comportamento aparece, o primeiro passo é eliminar todas as possíveis causas de enfermidades e, para isto, uma consulta com o veterinário responsável é necessária.  

Após, se descartada a possibilidade de problemas de saúde, o próximo passo é atentar para a rotina de vida desse animal e, nesse ponto é que entro para avaliar o grau de bem estar e ajustar a rotina diária, além de estruturar a relação entre a família e o cão. Após estes pontos serem ajustados, normalmente o problema desaparece.

Baixo grau de bem estar e rotina inadequada

Um cão entediado, vivendo uma rotina medíocre é um forte candidato a apresentar, também, lambedura excessiva de patas. Como tédio eu entendo que seja quando o cão pouco tem a fazer, quando fica muito tempo só. Embora, muitos tutores acreditam que ao sair de casa e deixar alguns “brinquedinhos” como ursinhos e bolinhas pode ser suficiente para manter o cão entretido, não é. É muito pouco!

Já uma rotina medíocre engloba muitas horas sozinho em casa (acima de 6hs), nada ou pouca frequência de passeios e ou com baixa qualidade, pouca ou nenhuma interação social, ambiente artificial com poucos ou nenhum estímulo.

Um cão com os “ingredientes” acima tem muita chance de apresentar o comportamento abordado neste texto.


Relação família & cão desequilibrada

Mas não apenas os fatores acima são desencadeantes, existem outros. Atenção indevida por parte do tutor, dependência por parte do cão, ambiente estressante, imprevisível e ausência de regras estruturadas.

É fundamental que a relação seja estruturada. A família precisa aprender a compreender o que é um cão, quais os comportamentos da espécie, necessidades específicas que variam não apenas de raça, mas de indivíduo para indivíduo. 

Percebo que quando os humanos envolvidos aprendem, de verdade, sobre a espécie com a qual estão convivendo, entendem os comportamentos e sinais que emitem indicando seus verdadeiros sentimentos,  que a relação se torna equilibrada e a qualidade de vida de ambos (humanos e cão) passa a ser prazerosa.

Uma relação de respeito, sem uso de violência, intimidação, na qual o cão possa confiar nos seus tutores é necessário para que ele se sinta bem, não ansioso ou estressado.  Abolir de uma vez por todas qualquer referência a teorias equivocadas e ultrapassadas, que ensinam tutores a se posicionarem como líder da matilha, oferecendo comportamentos inadequados e incompreensíveis aos cães e que só aumentam o estresse, é importante. Os cães precisam de lares confiáveis, de tutores que se posicionem como pais e mães, orientando as regras (que devem ser definidas e consistentes) da casa, educando-os e não os punindo.

Chamar a atenção do cão por ele estar lambendo as patas pode acentuar o problema. Investir em passeios, leva-lo a parques e para fazer trilhas na natureza, promover oportunidades de interação com outros cães, frequentar Day Care no lugar de ficar sozinho confinado diariamente em casa, enriquecer o ambiente, entre outros fatores tão importantes, irá melhorar a vida do cão.

Se após ler esse texto, ainda precisar de ajuda com o seu melhor amigo, é possível realizar uma consultoria comportamental comigo, presencial ou à distância (virtual). 


Emmanuelle Moraes
Educadora canina especialista em comportamento e socialização de cães
Membro da The Association For Force Free Pet Professionals
Coordenadora Day Care Educativo Petcare Center, Floripa\SC.

www.educadoracanina.com.br
Skype: emmanuelle.moraes
(48) 9994-8603 (Florianópolis/SC)
Facebook: Educadora Canina Emmanuelle Moraes





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