quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Posso levar meu cão para viajar comigo?

Texto de Emmanuelle Moraes, educadora canina especialista em comportamento e socialização de cães, escrito gentil e especialmente para o nosso blog. A Emmanuelle é uma das melhores comportamentalistas do Brasil e oferece consultoria, mesmo à distância, caso você esteja precisando de orientação de qualidade na educação do seu frenchie.

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Imagem da nossa leitora, Thaís Ilha.

Meu cão está pronto para viajar comigo?

Se quer, mesmo, saber a resposta primeiro terá que “jogar limpo” consigo mesmo. Depois, atente para alguns pontos que destaquei e que considero fundamentais para que a sua viagem, na companhia do teu cão, siga em harmonia e sem estresse.

Dos prazeres que a vida oferece, de longe viajar é um dos que mais gosto. Mas deixar os meus cães para trás também é algo que ocupa o topo da lista das minhas aflições. E não apenas por tudo que envolve a delegação dos cuidados das minhas meninas a outra pessoa, mas também pela falta que me fazem nas aventuras que gosto de fazer.

Incentivo muito as pessoas a levarem seus cães, aos mais variados lugares. Poder levar um cão para uma “trip”, no meu ponto de vista, fará com que a “família” esteja completa e não fique “nada” para trás gerando aquela saudade que nos faz até querer voltar antes para casa. Mas, da mesma forma que incentivo que os cães sejam levados juntos, também chamo a atenção para o fato de que eles precisam estar aptos para isso. Um dos principais objetivos de levar um cão conosco, para viajar, é que ele se some aos prazeres da viagem e não que se torne um motivo extra de preocupação ou de problemas sérios, atrapalhando o passeio e o relaxamento que um bom descanso da rotina diária nos gera.

Abaixo destaco alguns pontos importantes que considero ser fundamentais para que um cão esteja pronto a se aventurar com seus tutores.

1. Educação Sanitária impecável
Esse é um ponto crucial para um cão viajante. É importante saber usar adequadamente o "banheiro" para não fazer feio na casa alheia. 

Cães que não sabem usar adequadamente o “banheiro” em suas próprias casas poderão fazer um estrago na casa alheia. Por mais que eu adore cães, isso não me faz gostar nem um pouco de urina e fezes dentro de casa e não me sentiria nada feliz se um amigo ou parente viesse me visitar e trouxesse um cão que fosse sujar e até mesmo danificar a minha residência. Agora, imagine os proprietários de um hotel ou pousada que abrem seus estabelecimentos para receber os cães de seus hóspedes e acabam tendo problemas do tipo, ou então amigos e parentes que nos recebam e passem pelo mesmo problema. 

Outro ponto delicado é a marcação de território. Alguns cães, mesmo sabendo fazer as necessidades no local correto e até sendo castrados, quando fora de casa em ambientes novos estão sempre marcando tudo que encontram pela frente. Mesmo um macho “inteiro” (sem ser castrado) pode aprender que em ambientes internos,  pés de cadeiras,  vasos de plantas e afins não são locais para marcar.

Salvo se o destino é um camping cheio de grama e o local onde vai ficar é uma barraca (e mesmo assim penso que pode ser bem complicado ter que ficar em uma barraca urinada) um cão assim não pode ir para a casa de outras pessoas e muito menos a um hotel ou ambientes Pet Friendly

2. Saber ficar só
Aqui reside outro importantíssimo ponto! Deixar um cão em um lugar desconhecido, como um hotel ou casa de um amigo, durante alguns momentos em uma viagem vai exigir que ele saiba esperar e saiba lidar com momentos de ausência dos tutores. 

Em toda viagem que fizer com o seu cachorro, em algum momento, será necessário mantê-lo por algum tempo sozinho, na casa em que estão hospedados ou no hotel. Seja para ir a um restaurante ou em uma função corriqueira como comprar mantimentos em um supermercado. Cães ansiosos, que não sabem esperar ou que são dependentes dos tutores vão gerar grande problema quando isso precisar acontecer, incluindo: fugas, choros ou uivos e destruição de objetos do local onde estiver. Portanto, comece a ensinar o seu cão a esperar e a ser mais independente,  caso pretenda sair por ai viajando com ele.

3. Não destruir objetos
Imagine quantos problemas e indisposições podem ocorrer se o seu cachorro destruir objetos da casa/hotel onde estão hospedados. Pois bem, cães destruidores geram estragos significativos em ambientes e, quando isto acontece na casa dos tutores, o sentimento pelo cão e a certeza da responsabilidade que possuem acaba por amenizar os prejuízos, mas um terceiro não vai levar isso tão “na boa” assim. 

4. Saber relaxar
Adoro cães brincalhões, felizes e até “bagunceiros”. As minhas são assim! Mas, pra tudo tem hora. Todo cão precisa saber quando deve relaxar e quando deve se manter calmo, sentado, deitado ou apenas “na dele”. Um cachorro que não consegue manter-se quieto ou que quer ser o centro das atenções o tempo inteiro pode ser bastante inconveniente e vai incomodar durante uma viagem. Pode ser que não incomode os tutores que já estão acostumados a conviver com ele e não se importam, mas terceiros não tem obrigação de passar por isso, não é mesmo? Manter uma rotina que inclua o cão, gastando sua energia com passeios motivantes, mas estabelecer momentos em que ele deverá manter-se relaxado para que os humanos aproveitem a viagem e interajam com as pessoas é sempre muito positivo.

5. Não vocalizar excessivamente
Cães que latem para tudo e para todos podem ser bastante desagradáveis. Pode até não ser para a família que o ama, mas para terceiros esse comportamento vai gerar incômodos, perturbar a paz e até mesmo o sono. Latidos na casa de terceiros (família ou amigos, seja lá onde estiver hospedado) ou em uma pousada não é nada legal. A vocalização excessiva pode ser substituída por um comportamento positivo através de um Programa de Troca de Recompensas, sem uso de punição alguma, e os resultados são fantásticos.

6. Ser sociável
A frequência a ambientes públicos variados exige que o cachorro seja sociável com pessoas e outros cães. Isso é uma questão de educação. Imagine chegar a um café com o seu cão educado e sociável e outro cachorro que lá já está começar a latir e querer avançar em vocês. Nada mais desagradável para todos, concordam? Tanto para as pessoas que estão ali saboreando uma refeição, conversando com um amigo ou mesmo para quem chega e é assim recepcionado.  Imagine, também, entrar em um hotel e testemunhar seu cão tentando atacar o camareiro pelo simples fato de ele aproximar-se de você. Caramba! Mesmo em visita à casa de parentes ou amigos, um cão que é antissocial poderá limitar o acesso de novas pessoas na casa. Ser sociável é requisito fundamental para um cão conviver em sociedade.

7. Ser educado
Um cão educado é bem vindo a todo lugar! E mesmo naqueles com restrições, esse tipo de cachorro que vai “abrir portas” e mudar preconceitos. Dentro da própria casa, se um cão não é educado e se isso não é algo que incomode a família, tudo bem! Esta é uma escolha dos tutores e cabe a apenas eles conviverem com esse cachorro. Mas quando levamos nossos cães a outros lugares, principalmente quando os locais são públicos e exigem que outras pessoas também tenham que conviver com o nosso cachorro, então, estou certa de que a educação dele é necessária, e não é mais uma “opção pessoal”. Também é certo que a educação de um cão começa na educação do seu tutor e, por conta disso, talvez seja desnecessário delongar-me neste tópico em outra oportunidade.

Não escrevi esse texto para desanimar ninguém. Mas sim para convidá-los a uma reflexão sincera: “Meu cão está pronto para viajar comigo?”

Caso tenha se identificado com alguns dos pontos destacados, não desanime. Garanto que é possível melhorar muito o comportamento do seu cão, basta se dedicar e ter o auxílio de um bom profissional positivo (que não utilize punições, enforcadores, trancos, colar de choque ou qualquer tipo de aversivos para ensinar e modificar comportamentos) quando necessário.

Eu levo os meus cães a todos os lugares! Reuniões em ambientes fechados, palestras, hotéis, pousadas, casa de amigos e parentes, viagens mega longas, para trabalhar comigo e mesmo para dar aulas para cães reativos. Com amor, dedicação e, claro, com técnicas modernas de educação canina sempre é possível melhorar a relação com os nossos cães e ensina-los a terem bons comportamentos.


Emmanuelle Moraes
Educadora canina especialista em comportamento e socialização de cães
Membro da The Association For Force Free Pet Professionals
Coordenadora Day Care Educativo Petcare Center, Floripa\SC.

Skype: emmanuelle.moraes
(48) 9994-8603 (Florianópolis/SC)








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