quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Por que parei de criar buldogues franceses? (autorrelato) ♥

Quem acompanha esse blog desde 2008, sabe que eu, que vos escrevo [Camilli Chamone], fui criadora de buldogues franceses por muitos anos. Em 2011, tive nossa última ninhada de baby frenchies e, desde então, decidi não reproduzir cães dessa raça mais.

Escutar "Por que você parou de criar?" é a pergunta mais frequente desde então! E, por isso, estou escrevendo esse texto hoje.

Motivos para não criar buldogues franceses sobram! Eles são cães de manejo reprodutivo complicado, não devem fazer monta natural, as cadelas não devem parir naturalmente (só cesariana por aqui), o manejo de filhotes recém-nascidos braquicefálicos é muito complexo. Entregar filhotes socializados dá trabalho. Educação sanitária de filhotes dá trabalho. Lidar com alguns tutores dá trabalho. Além disso, criador de cães não tem férias, não tem Natal, não tem feriado, não tem aniversário. 

Por 03 (três) anos seguidos tive ninhadas que nasceram dias antes do meu aniversário. Tive ninhadas que nasceram no Natal, no feriado de 7 de setembro, na Páscoa, no Reveillon, no aniversário dos meus filhos.

Mesmo quando não tinha baby frenchies em casa, viajar (ainda que por um fim de semana) exigia uma malabarismo hercúleo da minha parte. Precisava deixar toda a alimentação separada, precisava passar 6463982092843 orientações para que não houvesse problemas entre os machos (machos de buldogues NÃO convivem bem, com outros machos, quando matilhados o tempo todo), mas, mesmo assim, viajava preocupada. Estaria tudo limpo como eu gosto? Os cães estavam se alimentando bem? Os cães estavam sendo bem cuidados? Sim... eu sei que essa preocupações parecem exageradas, mas é assim que sou.  

Entretanto, devo adverti-los que não foram essas razões que me fizerem parar de criar. A grande verdade é que parei de criar porque não me sentiria à vontade fazendo o que considero errado. Explico melhor:

Penso que a decisão por reproduzir um cão deve ser baseada em 03 (três) pilares:

  • Saúde, 
  • Tipicidade de temperamento, 
  • Tipicidade física. 


Todos esses pilares têm peso igual! É um erro (na minha opinião...) reproduzir um cão que deixa a desejar em qualquer um desses quesitos. 

Algum tempo antes da minha última ninhada, tive que excluir 04 (quatro) cães do processo reprodutivo e isso me chateou demais. Além do prejuízo financeiro, foi sofrida a decepção de ter minhas expéctativas frustradas sobre esses cães que eram (são) tão bonitos. Um  deles luxou a patela, o outro tinha o temperamento muito atípico (agitado e ansioso demais) e os outros dois tinham uma coluna tenebrosa.

Diante da exclusão desses cães do processo reprodutivo, restaram-me as seguintes opções:

  1. Reproduzir o cães que eu já tinha, mesmo tendo um pool genético reduzido, o que predisporia a incidência de doenças genéticas na minha criação. (considero um erro a prática do inbreeding e tenho bastantes reservas a alguns linebreedings)
  2. Adquirir outros cães no Brasil. Mas, de quem? Quem, no Brasil, àquela época, era rigoroso e transparente no seu programa de criação de frenchies? Quem realmente tinha balls para excluir um cão bonito, mas com pouca saúde ou temperamento ruim do programa reprodutivo? Com quem eu poderia me associar, associar o meu nome e associar o nome da minha criação? Eu não conhecia ninguém e não queria correr o risco.  (aliás, se você que está lendo esse texto for uma dessa pessoas, apresente-se por favor! Será um prazer conhecê-lo, mesmo que tardiamente...)
  3. Adquirir outros cães, fora do Brasil, de criadores com os quais eu me relacionava e confiava. Mas seria preciso despender um volume significativo de milhares de dólares para isso. 
  4. Parar de criar.


Por exclusão, a opção número quatro foi aquela que me restou. Então, parei de criar. Passados 06 (seis) anos dessa difícil decisão, vejo que fiz a opção certa.

Continuo amando os buldogues franceses, porém, sou mais feliz e despreocupada sendo apenas a "simples" tutora de um. ♥