quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Leishmaniose canina - como fazemos para preveni-la?

Imagem: Mariana Vargas, canil Dros Bull


O que você faz para proteger o Bento contra a leishmaniose canina? é, certamente, uma das perguntas mais frequentes que recebo.

Se essa pergunta fosse feita há 5 anos, minha resposta seria:
  1. Vacinação;
  2. Uso de coleiras repelentes, à base de inseticidas (Scalibor, por exemplo);
  3. Protector em todas as tomadas da casa.

Sim, era isso que eu fazia.  Funcionou? Não.
Apesar de todos os meus cuidados extremados, tive cães com a doença. Também conheci muitas pessoas que tiveram seus cães infectados, mesmo fazendo uso de todos os métodos preventivos preconizados.

Sei que você pode estar aí pensando: oras, mas nenhuma vacina é 100% eficaz. E não é mesmo! Inclusive já falamos sobre isso nesse post e nesse e nesse. Entretanto, não conheço nenhuma vacina que possua tanta "não proteção" quanto a vacina contra leishmaniose canina.

A imunologia explica isso: protozoários são seres muito mais complexos que os vírus e as bactérias (contra esses últimos há vacinas muito eficazes), possuem maior variabilidade genética e isso é um obstáculo para o desenvolvimento de vacinas eficazes.

Portanto, por mais que divulguem a vacina contra leishmaniose canina, não há evidências científicas relevantes de que ela funcione e, infelizmente, a prática me mostrou que ela não funciona mesmo. [se você discorda disso, por favor, envie artigos científicos publicados na Pubmed, que sejam duplo-cegos, randomizados, com um N significativo e que tenham longa duração, para seubuldoguefrances@gmail.com] Ademais, se vacinas contra protozoários fossem eficazes, já existiria uma vacina contra leishmaniose para humanos também, além, é claro, daquelas para prevenir toxoplasmose, malária, etc.

Sei que muitas pessoas vacinam seus cães, motivadas pelo medo, mas, penso que medo não protege ninguém contra a leishmaniose. Até poderia pensar em fazer a vacina, com essa mesma motivação... se ela não tivesse como compontente uma substância chamada timerosal. O timerosal é um conservante, à base de mercúrio, e todos nós já sabemos que medicamentos com mercúrio foram removidos do mercado (lembra do merthiolate e do mercúrio cromo?) - parece-me que, por questões que envolvem lobby, o mercúrio ainda persiste em algumas vacinas e nas restaurações dentárias (amálgama). Entretanto, é consenso científico que:

a) o mercúrio é toxico;
b) a exposição ao mercúrio pode afetar o sistema nervoso central; 
c) mercúrio é imunotóxico;
d) mercúrio é teratogênico.

Portanto, não me parece sensato utilizar medicamentos que contenham mercúrio (ainda mais, por via injetável).

Pois bem: não vacinamos o Bento, pelos motivos expostos acima.

Mas, e a coleira repelente? 

Alguns estudos mostram que as coleiras a base de permetrina fornecem proteção, outros mostram o contrário... De qualquer forma, minha própria experiência comprovou que as coleiras não são infalíveis (usava Scalibor e tive cães positivados para leishmania). 

Na minha opinião, o maior problema dessas coleiras é a altíssima toxicidade delas. A coleira Scalibor, por exemplo, tem como princípio ativo a deltametrina - o mesmo inseticida do K-Othrine, aquele potentíssimo e super tóxico mata-baratas. Não me parece sensato usar uma substância biocida tão potente, com a justificativa de proteger um cão.

Até tentei usar a Scalibor no Bento, porque viajaríamos para a zona rural, mas 2h de uso de coleira Scalibor foram suficientes para abrir uma ferida enorme no pescoço dele.

Pelo mesmo motivo de alta toxicidade, parei de usar o Protector nas tomadas - o que já fiz muito, anos atrás. Inalar constantemente um inseticida, com o intuito de proteger, é bem paradoxal, não é mesmo?


Então, o que fazemos?

Primeiramente, investimos MUITO na imunidade do Bento.

  1. Ele é alimentado exclusivamente com alimentação natural crua com ossos (a mais biologicamente apropriada para um carnívoro). A nutrigenômica explica que uma dieta biologicamente apropriada interfere na expressão dos genes e, consequentemente, em todo o funcionamento do organismo - inclusive, potencializando a imunidade e os processos de reparo do corpo. A saúde começa pela boca.
  2. Investimos no QVD dele, porque o estado mental do cão tem impacto na sua imunidade. Saúde mental tem impacto na saúde física.
  3. Oferecemos alho diariamente, por causa do seu efeito repelente. Na dúvida sobre o efeito repelente do alho, experiemente conviver com alguém que coma bastante alho diariamente e nos diga se ela não exala alho pelos poros! Pois é... esse cheirinho repele mosquitos, pulgas e carrapatos também. Além disso, parece que o alho tem efeito imunoestimulante.
  4. Não usamos, de forma alguma, medicamentos inseticidas como forma de prevenir pulgas, carrapatos e picadas de mosquitos. Esses medicamentos possuem efeito imuniotóxico.

Em humanos, a leishmaniose está muito intimamente ligada á imunidade do indivíduo. Parece que indivíduos que estão nos extremos das idades (bebês e velhinhos) são muito mais suscetíveis a desenvolver a doença, justamente pela questão imunológica. Não sei se existe, comprovadamente, a mesma relação em cães, mas, por via das dúvidas, prefiro investir na imunidade do Bento, inclusive, como medida preventiva. Por isso, para mim, não faz sentido algum utilizar qualquer forma de prevenção que seja imunotóxica, para proteger contra uma doença que se manifesta em situações de flutuações imunológicas.


Qual a garantia de que o Bento está protegido?

Nenhuma. Sim... isso mesmo. Infelizmente.
Não existem garantias de que ele nunca terá leishmaniose canina. Mas, também não existem garantias que ele não terá a doença se for vacinado e se usar a coleira repelente - e isso eu aprendi na prática.

Quem tem um cão, no Brasil, precisa saber que está exposto ao risco, porque não existe nenhuma garantia de prevenção, com nenhum método.

Sabendo disso, hoje prefiro optar por aquilo que é menos tóxico, por causa do impacto na saúde geral do Bento. 

Você pensa diferente? Tudo bem. Estamos todos no mesmo barco e expostos ao mesmo risco...